boas vindas

"Neste Blog 10% é mentira, o resto é invenção"

Textos

Dia do Amigo “Aos amigos da SSC”


Eu estava procurando algo referente ao dia do amigo, procurei em alguns autores que gosto, dei uma vasculhada, encontrei algumas coisas legais, mas não o que eu gostaria de dizer, e isso tem acontecido com mais freqüência, de não encontrar, mesmo nas coisas que leio e gosto, exatamente o que eu gostaria de dizer, e cada vez mais tenho sentido a necessidade de  expressar, de dizer o que penso a respeito das coisas, porque tenho visto algo de novo no cotidiano, e isso em tudo, na culinária, na música, no esporte, na vida.
Estou até levando a sério aquele dito, de que a vida começa aos 40.
Feito aquele pintor que vai imitando, pintando paisagem, transpondo para o papel o que olha e de repente sente a necessidade de criar algo novo, que sua subjetividade exige, mesmo que possa parecer estranho aos olhos dos outros.
Ou aquele cantor que vai imitando outros, e de repente quer compor sua própria música, porque sente que tem algo a dizer, com sua singularidade.
E eu sinto que na vida também é assim,a gente vai imitando os outros, andando por entre espelhos, por caminhos já conhecidos e trilhados ou por outros apontados, e de repente  sentimos que ela pode ser diferente, que pode ter a nossa cara, o nosso jeito, e ser muito melhor.
Pensei nisso tudo quando li uma pequena estória de Ruben Alves que falava a respeito de uma árvore solitária que se via do alto de uma montanha, não tinha sido sempre assim, em tempos passados a montanha estava coberta de árvores maravilhosas, altas, esguias, que os lenhadores cortaram e venderam.
Mas aquela árvore que ficou era torta, não podia ser transformada em tábua, era inútil para os propósitos dos lenhadores e ficou lá. Depois vieram os caçadores das essências em busca de madeiras perfumadas.
Mas a árvore torta, por não ter cheiro algum, foi desprezada e lá ficou. Por ser inútil sobreviveu. Hoje ela esta sozinha na montanha e serve de sombra pra muita gente. Depois de ler essa estória, pensei na nossa amizade e na casualidade da vida e dos acontecimentos.
 De muitas vezes nós termos falado brincando, mas levando a sério, que nós estavamos aqui porque não demos certo pro mundo dos negócios ou porque não fomos tão bem sucedidos como muitos de nossos amigos, que os lenhadores e caçadores de plantão os levaram para o bem de seus propósitos e de seus negócios.
É, eles não nos levaram.
E nós, na nossa suposta inutilidade, nesta terra infecunda que é considerada o tempo livre, neste ato insano para o  mundo de hoje que é optar  pela qualidade de vida (família, amizade, natureza, cidade),e não somente pelo lucro, ficou a nossa árvore, essa árvore forte, frondosa, de raízes profundas que se chama amizade, que hoje é uma sombra, um conforto e alento para nossos dias e para nossa alma.
Uma árvore que une infância e maturidade, que traz para um mundo tão sério o despropósito do encontro pelo encontro, para falar de trivialidades, de rir, de desabafar, de as vezes até dormir,(né Bobas), de se importar um pelo outro, coisa também rara nos dias de hoje. É, uma coisa é certa, senhores de 40 anos que se reúnem para jogar máster e tomar Pepsi-cola não podem ser levados a sério. O filósofo alemão Nietzsche tem um conceito, que eu gosto muito, que ele chama de “O Eterno Retorno” que todas as nossas escolhas e ações, deveriam ter no pensamento a idéia de que elas vão retornar  exatamente como foram vividas, a eterna ampulheta do tempo sempre virada de novo e outra vez e nada  acontecerá fora deste eterno momento de agora, que sempre retornará, isto daria a nossas ações e comportamento, mais presença, uma potência de vida, pois se vai eternamente voltar  tenho que fazer que seja bom.
Lembrei deste conceito porque ele é real, a nossa quinta-feira sempre volta, sempre igual, nada muda, desde a Pepsi-cola, o máster, a janta, as falas, os olhares, as lembranças...etc...
A quinta é sempre igual.
Que bom!!!
Sabe porque amigos?  porque nós queremos que ela seja assim.
Assim nós decidimos que ela seria. Assim ela é, porque gostamos que assim seja.
E que assim seja.
Há!! só pra encerrar , sabe aquela brincadeira de que nós pertencemos a classe A.
Não é verdade, nós pertencemos a uma classe ainda muito mais seleta, que nem consta nas pesquisas de tão especial que é. A classe dos que tem amigos de verdade.

Eu estou muito cansado do peso da minha cabeça. (Belchior)

Essa bela canção de Belchior nos faz refletir a respeito da proporção que tomou o pensamento científico desde Platão e Sócrates, passando por Descartes “Penso logo existo” até os dias de hoje.
Nos tornamos um ser desproporcional com uma cabeça enorme e um corpo bem pequeninho, por conta desta racionalidade cientifica.
A ciência invadiu os recônditos mais caros da alma e do corpo, calcula tudo. Um pequeno exemplo deste vasto universo de números é a tal das calorias. Comer agora é sinônimo de cálculos, alimentos são números ganhos, o esporte, a caminhada, até os nossos gestos são números perdidos, e não é só isso, além dos cálculos de calorias devemos saber muito bem o que estamos ingerindo no que se refere às proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais, pois todos têm kilocalorias diferentes, portanto são cálculos diferentes, e também de que forma estamos gastando essas calorias para que aja uma sintonia perfeita e um melhor aproveitamento, uma espécie de relação custo - beneficio que pegamos emprestado da economia, até porque estas duas áreas hoje em dia tem muito em comum. Ah!! também tem um detalhe importante que já ia esquecendo, os horários, temos que obedecer e controlar os horários para que tudo saia perfeito. Bem, já que estamos falando em receita, acho que até aqui temos todos os ingredientes para uma bela Neurose.
Dissecamos os alimentos pra saber qual é o seu número e ficam todos lá nas prateleiras uns mais valorizados outros desprezados não pelo seu sabor ou deleite de um bom prato, mas pelo cálculo, o que eles representam em calorias. Certo dia minha esposa viu que pela sua dieta e pelos cálculos de calorias ela poderia comer uma colher de Ambrósia. Meu Deus!! Quem é capaz de comer uma colher de Ambrósia, isso é desumano, Ambrósia pra começo de conversa é uma cremeira, no mínimo. Ela chegou a conclusão que o melhor seria não comer a ambrósia.
A Razão, por estar muito ligada a Moral, tem este caráter de estraga prazer, tem sempre uma vozinha no fundo, ou como diria  Nei Lisboa  “sempre tem um grilo cri-cricando meu prazer”, estou comendo achando que não devia ou já pensando no que terei de fazer para queimar o “a mais” que eu comi, e as vezes acabam se culpando por achar que não são disciplinadas o suficiente e estão cedendo aos impulsos destes sentimentos humanos intrusos, instintivos e irracionais que são os prazeres,  que devem ser controlados, domados e se possível eliminados.
O velho sonho de Aristóteles das máquinas substituir os homens do fardo dos trabalhos desgastantes, e para sempre o homem estaria livre para o deleite das virtudes da vida, se concretizou, mas para ironia do destino, nós optamos por livre e espontânea vontade também sermos máquinas.
E depois ainda dizem que a Ciência é pensamento sem dor... 
Até pode ser! Mas por ser sem dor ela é também sem prazer, sem sentimento, insípida e inodora, limpinha, veio para organizar, e organizando vai separando, e separando vai comparando, e comparando vai acomodando na prateleira tudo que é igual e distanciando tudo que é diferente, que não está no mesmo padrão, e quanto mais é aprimorado este olho clínico para ver o “defeito”, quanto mais é aferido o instrumento para captar a mais tênue nuance das coisas, mais idôneo e respeitado é o método, este é o nosso modelo de sociedade calcado no cálculo, e  ao invés de utilizar mais  de seus elementos que é o + (mais), e o = (igual) acentua o –(menos) e o # (diferente) sobretudo o diferente.
A grande equação posta para a ciência resolver é a seguinte:
Como ela vai somar Ciência e Razão sem subtrair o Corpo e a Vida.
E para encerrar mais um pouco de Belchior:
“Não quero o que a cabeça pensa, eu quero o que a alma deseja”,
“Arco íris, anjo rebelde, eu quero corpo, tenho presa de viver” (Belchior)


É NATAL

 

È uma noite muito especial para todos nós Cristão, e uma noite ainda mais especial para nós Cristãos e Pertencentes da Grande Família Venzke e todos os seus laços.Porque para nós é uma noite cheia de significados.
Todos nós alimentamos grandes expectativas para essa noite, no mínimo um mês antes já estamos nos preparando para ela, não só materialmente, mas espiritualmente também, queremos estar bonitos por dentro e por fora é a Liturgia Venzke para este momento. E é especial porque além de relembrarmos o nascimento de Cristo relembramos tantas outras coisas que o principal motivo deste encontro, acaba ficando em segundo plano.
Mas por favor, não nos culpemos por isso, pois os outros motivos são tão nobres quanto este, e certamente seremos perdoados. Explico: Pois existe maneira mais bonita de lembrar o nascimento de Cristo e celebrar o Natal do que festejar o reencontro da família? E essa expectativa para que possam estar todos presentes neste momento, e tenho certeza de que quando essa possibilidade se concretiza, é o nosso maior presente.
Não nos parece significativo que Natal simbolize nascimento? e que nesta casa, nesta data tão especial, onde sempre nos reunimos e nos sentimos acolhidos ser também a data de nascimento de quem para nós significa a representação viva do nosso grande ventre materno?
Não nos parece significativo sermos todos cada um do seu jeito tão Religiosos? E Religião significa religação com o divino? E há algo mais divino e religioso que estarmos sempre religados uns aos outros nesta espécie de cordão umbilical que nos mantém unidos a este ventre e que nos alimenta neste espírito de pertencimento e união.
Não nos parece significativo que comunhão significa comer em união e repartir o pão? E que a maior satisfação daqueles que preparam um prato para a nossa ceia é o prazer de ofertar ao outro, como parte do seu trabalho, do seu corpo. Isto é Eucarístico. Todo esse Ritual é que torna o nosso Natal Sagrado. Portanto gostaria de reafirmar a todos que temos este compromisso com o Natal, com nós crianças de ontem, com as crianças de hoje, com as que estão por vir, e com os que já foram, porque através deste momento que suas presenças serão sempre lembradas, não só no nosso pensamento e oração, mas também na presença física dos que por eles foram gerados. E por fim, desejo para todos nós o que para mim ficou como maior herança e lição de vida, O sorriso da minha Avó até a hora da partida. Portanto Família Venzke, brindemos o dom que certamente temos e recebemos de Deus, o dom da alegria, erguemos as taças e façamos aquilo que estamos acostumados e que aprendemos e mantemos com a tradição, vamos brindar, Beber, comer e cantar, o símbolo do nosso Natal: A alegria de estarmos juntos.